
Ontem eu finalmente consegui assistir o novo clipe da Lady Gaga com a participação da Beyoncé (mais uma): Telephone. É claro que há muito o que ser dito e só coisa boa, mas antes eu gostaria de postar aqui a reportagem que o jornalista Zeca Camargo escreveu sobre o clipe na última segunda feira, eu adorei! Acho que estou começando a virar fã do Zeca, no próximo post colocarei a minha crítica aqui.
Quase três minutos de imagens e, até então… nada de música. Você já viu coisas suficientes para passar o resto do dia extasiado – tudo, por enquanto, dentro de uma penitenciária feminina (se bem que uma penitenciária bem alternativa). A artista principal, você reconheceu logo que ela apareceu. A peruca, claro, é outra. O modelo – tirado da “Maison” Irmãos Metralha – é também novo, e não menos surpreendente. Duas “agentes” conduzem a meliante até sua cela e, depois de trancá-la por lá, soltam a piada que só os fãs mais devotos talvez captem: “Eu disse que ela não tinha um…” (as normas de conduta deste espaço não me permitem completar a frase… mas os tais fãs – entre os quais eu me incluo – sabem bem com ela termina). E nem sinal da música…
Você vê a “heroína” circulando pela prisão – e procurando confusão em cenas que incluem um beijo na boca de outra interna e uma pegada forte na virilha da mesma. Quando, no meio de uma boa briga de mulheres, ela atende uma ligação, finalmente você ouve os primeiros acordes da canção – uma bela introdução vocal acompanhada apenas por uma harpa (sim, uma harpa). Então o videoclipe começou? Talvez…
A estrela dança com suas companheiras dentro de grades, num momento que lembra uma cena do musical “Hair” (dirigido por Milos Forman em 1979), aquela que retrata a música tema. Em outra referência cultural esperta, ela depois aparece coberta apenas com fitas adesivas – como na inesquecível imagem de Gisele Bündchen clicada por David LaChapelle para a revista “The Face” –, debatendo-se em sua cela. E quando ela está prestes a deixar a prisão, a música para…
O que vem depois é uma sequência de imagens que não só honra o grande mestre surrealista Salvador Dali, como eleva o próprio conceito desse movimento artístico a um novo patamar – uma espécie de montanha-russa de imagens e delírio. As duas “megastars” partem estrada afora para cometer um “modesto” assassinato em massa – não sem antes passar por uma conversa absurda num café de estrada, e por uma espécie de interlúdio que convida: “Vamos fazer um sanduíche!” (uma refeição cortesia da improvável “Poison TV”, ou, “TV Veneno”).
A música – que é, como qualquer coisa que se espera dessa artista, sensacional – já apareceu mais algumas vezes, mas você está tão envolvido na história toda que mal conseguiu separá-la do resto do que está vendo. Não fosse a estranhíssima coreografia ali mesmo no apertado espaço do café talvez você já nem se lembrasse de que se trata de um clipe. Mas lá estão as duas, enlouquecidas, pedindo: “pare de ligar, pare de ligar… eu estou tipo ocupada!”.
Quase dez minutos depois, você já está meio sem fôlego – mas elas não. Alvo de uma caçada humana, as duas escapam mais uma vez por uma estrada deserta, trajando curiosamente vestidos que bem poderiam ser de noivas (macabras). Nada de beijos, mas as duas mãos entrelaçadas dizem tudo: elas estão unidas para sempre. A sombra de um helicóptero as perseguindo na paisagem? Apenas um detalhe.
Reconheceu o que eu acabei de descrever? Então você é uma dos mais de 12 milhões de pessoas que já conferiram “Telephone” – a nova música de Lady Gaga, com a participação especial de Beyoncé. Eu mesmo contribuí para uma boa dúzia desse total de cliques (e essa é a soma apenas do que parece ser o vídeo oficial no youtube). E espero contribuir mais nos próximos dias!
Essa minha parca tentativa de traduzir o que eu estava vendo em palavras não faz, nem de longe, justiça a essa pequena obra-prima que é o novo vídeo de Gaga. O clipe é muito, mas muito mais que isso. É incrível como esta mulher não dá um passo em falso! E o fato de ela ter se juntado à outra figura, digamos, poderosa do pop só prova o quanto esse universo é inesgotável de idéias – algo que sempre defendo neste blog.
Em tempos de mega caretice e mesmice – e não preciso citar aqui alguns exemplos que predominam nas paradas mundiais para você ter idéia do que estou falando – um vídeo como “Telephone” chega como um manifesto-bomba! Chega de ser comportado, chega de jogar com os mesmos clichês, chega de querer agradar com um dicionário visual (e musical) só com códigos conhecidos, chega de ser o que as pessoas esperam que você seja. Lady Gaga está aqui para mostrar que você pode fazer diferente. E fazer bem feito.
No final do ano passado, desde que fiz uma entrevista com ela, citei tanto o “santo” nome da artista que me impus uma espécie de hiato com relação a esse assunto. E, pelo entusiasmo com que relatei minha experiência no show carioca de Beyoncé durante sua passagem recente pelo Brasil, achei que um bom tempo iria passar antes de eu citar novamente a cantora neste blog. Mas como resistir a essa avalanche pop chamada “Telephone”?
Eu até que tentei falar de outro assunto… Boa parte dos comentários sobre o último post (sobre as memórias que os livros nos trazem) renderia uma boa continuação desse debate – que eventualmente ainda vou retomar. Fiz duas tentativas de ver o filme ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro (“O segredo dos seus olhos”) nos cinemas cariocas, sem sucesso: todas as sessões estavam lotadas – numa prova de, pelo menos nas telas, a rivalidade entre brasileiros e argentinos não passa de um mito (alguém se lembra do sucesso que “O filho da noiva” fez alguns anos atrás?). Esforcei-me para terminar de ler “E nós chegamos ao fim” (Editora Nova Fronteira) – o curioso livro de estréia de Joshua Ferris (pelo qual fui me interessar ironicamente depois de ler seu segundo trabalho, “The unamed”, ainda inédito no Brasil); mas não tive tempo de me dedicar mais a isso. Aí – inspirado por várias recomendações, inclusive o comentário da Olga no último post –, resolvi assistir ao vídeo de “Telephone” e percebi que não tinha como não falar dele – não apenas para “tapar buraco”, mas para fazer uma espécie de… celebração.
Na segunda-feira passada, anestesiado pelo torpor da noite do Oscar, postei um texto sobre a “festa” – você sabe por que eu usei aspas… – sem fazer sequer alguma referência ao Dia Internacional da Mulher. Algumas leitoras, com toda razão protestaram. Mas na exuberância das performances de Lady Gaga e Beyoncé, vi um ótimo motivo para celebrar a força criativa das mulheres – e reafirmar a idéia de que nós não podemos viver sem essa inspiração.
Como todo mundo que se esqueceu de dar os parabéns para uma representante querida do sexo feminino na semana passada, eu também disfarço dizendo que “elas devem ser lembradas todos os dias” – e não apenas no 8 de março. Mas quero aqui ir um pouco além da demagogia fácil e reforçar os parabéns por tudo que elas representam. Isso, como eu já disse aqui mesmo (falando de Ivete Sangalo), é o poder!
E para fortalecer o argumento, insisto: veja (ou reveja) Lady Gaga e Beyoncé suplicando ao telefone: “eu deixei minha cabeça e meu coração na pista de dança…”. E não se esqueça de que foi esse lugar mesmo que Madonna escolheu para fazer suas confissões…

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